Entre os 3 melhores do Brasil, paratleta precisa de nova prótese para estar em Tóquio

Com parte da prótese da perna esquerda quebrada, Leonardo “Pirata” não pode intensificar a força e os resultados para disputar a Paralímpiada

Assistir esportes paralímpicos é enxergar muito além daquilo que se assiste, é compreender que o esporte tem um poder tão grande de renovar, inovar e desenvolver várias habilidades e maneiras de enfrentar os desafios do dia a dia. Leonardo Lemes Ribeiro, apelidado de Pirata – e logo você entenderá –, é uma prova de que através do esporte, a vida se torna diferente, inclusive quando você perde uma parte de si.

“Um carro me atropelou, após eu ter decido da minha moto para ver uma sucuri que tinha acabado de desviar. Quebrou minha perna esquerda, tive escoriações na cabeça, e minha esposa, que estava junto, quebrou a clavícula”, relembra Leonardo do acidente que aconteceu em 2009. A perna do jovem precisou ser amputada, e o esporte veio para mudar a sua vida.

Leonardo Pirata no aquecimento antes da partida.

Há cinco anos, Pirata conheceu o basquete de cadeira de rodas, na Associação Paranaense de Deficientes Físicos (ADPF), local que fornece às pessoas com necessidades especiais, benefícios e recursos, promove a autonomia nos meios sociais, profissionais, culturais e outros. “À princípio, era apenas para ocupar a cabeça”, disse ele.

E ocupou tanto a cabeça que começou a levar a sério. Lá, Pirata começou a viver o esporte, ingressou no time da ADPF Fênix e é um dos destaques do elenco. Leonardo Pirata é assim chamado por causa de um amigo, que o chamava de perna-de-pau. E o apelido pegou. Tanto que, na maioria dos seus pontos, a comemoração sempre é de um tapa-olho e o braço para cima.

Time da APDF Fênix comemorando o título, em 2016. Pirata ao fundo, lado direito.

Pirata já é bem premiado no basquete e atletismo. Com mais de cinco títulos, os destaques são dois campeonatos paranaenses, em 2015 e 2016, e o vice em 2017, campeão da Copa Rotary e do Parajaps, em 2016 (Jogos Abertos do Paraná).

Em 2016, Pirata descobriu no atletismo uma forma de desenvolver suas capacidades físicas e a possibilidade de participar de uma Paralímpiada. O arremesso de dardo, disco e de peso são as modalidades que Pirata vem dominando nos últimos anos, chegando a bater recorde no Parajaps. Até hoje, já foram seis ouros no Parajaps, seis ouros nas três modalidades Caixa Etapa Rio/Sul e ouro no disco e prata no dardo, no Brasileiro disputado em 2018. E isso em dois anos competindo. O cara é fera. Ou melhor, Pirata.


Pirata conquistou três medalhas no Circuito Caixa.


No Ranking Nacional, Pirata está em terceiro no disco, segundo no dardo e quinto no arremesso de peso. Leonardo Pirata ainda espera por uma convocação à Seleção Brasileira de atletismo paralímpico e uma vaga nos Jogos de 2020, em Tóquio. Mas o que dificulta a possibilidade de chegar a esses objetivos é sua prótese, que está quebrada. “Eu consigo, mas não tenho confiança na minha prótese. Ela fica soltando, têm muitas peças quebradas. Se eu tivesse uma nova, com certeza eu iria para Tóquio”.


Prótese quebrada.

Pirata não vive só do basquete ou atletismo. Para conseguir manter sua família e ter dinheiro para adquirir uma nova prótese, ele se tornou motorista de Uber e locutor de loja. O valor ganho não é suficiente para a preciosa perna artificial, que gira em torno de R$ 30 mil. O paratleta começou uma vaquinha online para poder juntar o valor, essa que até agora o percentual da arrecadação só chegou a pouco mais de 1%.

Pirata, o paratleta que promete chegar longe, pela determinação, força e sacrifício na luta pelo atletismo. Não à toa suas conquistas já são reconhecidas no país inteiro. A marca que hoje Leonardo busca é a de se tornar profissional e encontrar o tesouro desejado: a prótese que modificaria seu desempenho profissional e, mais uma vez, a sua vida.

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