Taekwondo

PRINCÍPIOS DO ESPORTE
O Taekwondo é uma das mais novas modalidades inseridas no cronograma olímpico, mas é uma das artes marciais mais conhecidas entre os atletas. A prática desse esporte é benéfica para a defesa pessoal e para a manutenção da saúde, através de atividades aeróbicas. Para praticar a modalidade, é preciso que o esportista tenha coordenação física e motora, flexibilidade, equilíbrio e concentração.

Autoconfiança, coragem, humildade e responsabilidade são essenciais. Acima de tudo, a modalidade é contra a violência. Por isso, é preciso que se tenha muita disciplina e respeito com o adversário. O maior número de pontos é conquistado através do contra-ataque, fruto da rapidez de reação e velocidade de pensamento, mais do que a própria força bruta. Em competições, existem regras definidas pela Federação Mundial de Taekwondo.

HISTÓRIA DO TAEKWONDO
O Taekwondo surgiu na Coreia, por volta de 670 a.C., quando existiam três reinos na região: Silla, Koguryo e Paeckche. O primeiro era o menor e, por esse motivo, constantemente atacado. O general da época, Chin Heung, criou uma tropa especial de defesa, conhecida por Hwarang, formada por jovens da elite e por militares. A modalidade se chamava Hwarang-do.

Com a ajuda dessa tropa, Silla conseguiu unificar os reinos da Coreia pela 1º vez na história, tornando-se conhecida por toda a nação e sendo difundida a modalidade por todos os cantos. Esses guerreiros precisavam de disciplina mental, já que trabalhavam com lanças, arcos, flechas, espadas e também com artes marciais.

Então surgiu o Taekwondo, até então chamado de Taekyon. Desde aquela época, foi criado um código de honra para a prática da modalidade, baseado em lealdade e respeito. Os princípios fundamentais eram: obediência ao rei, respeito aos pais, lealdade para com os amigos, nunca recuar diante do inimigo e só matar quando não houvesse alternativa.

Em 1909, ocorreu a conhecida ocupação japonesa da Coreia, que durou até o fim da 2º Guerra Mundial, em 1945, quando o Japão perdeu o seu prestígio em todas as colônias. Durante esse período, toda cultura local foi suprimida. Inclusive o Taekyon, que sobreviveu de forma clandestina, com mestres e pais ensinando aos seus filhos a prática dessa arte.

Reflexo disso, o esporte ganhou diversas vertentes e, com o fim da ocupação do Japão, vários mestres passaram a ensinar a modalidade em escolas diferentes. Em 1955, eles se reuniram, unificando a arte marcial como Tae Soo Do. Em 1957, a nomenclatura foi alterada novamente para Taekwondo, termo que permanece até hoje.

As outras artes marciais criaram competições, revelando atletas pelo mundo, e a população gostou da novidade. Por esse motivo, o Taekwondo precisou se adaptar para a divulgação do esporte. Ainda que não fosse o intuito da modalidade, que até então servia apenas para a defesa do reino. O primeiro campeonato surgiu somente em 1964.

No ano seguinte, criou-se a Korea Taekwondo Association, a primeira entidade administrativa. Em 1967, veio a International Taekwon-Do Federation, que formou uma turma de instrutores para serem enviados ao mundo, com a intenção de difundir o esporte para todos os cantos.

NA PRÁTICA
O atleta deve se concentrar em atingir o seu adversário, com chutes e socos na cabeça e no tronco. Os equipamentos utilizados são: luvas nas mãos e pés, protetor de canela, braço, cabeça e bocal. Os golpes variam entre 1 a 4 pontos, o vencedor é aquele que tem mais. Na modalidade, o lutador pode ser punido com ponto para o adversário.

Existe um técnico lateral para cada uma das equipes. Além disso, existe o vídeo replay que permite a revisão do golpe. Esse recurso é importante para dar mais amparo aos atletas, já que o esporte é feito de movimentos velozes. As faltas no Taekwondo podem definir o resultado do combate, existindo duas classificações: o Kyong-go e o Gam-jeon.

Kyong-go: É marcado quando o atleta atrasa o início da luta, cruza a linha de competição, se joga no chão de propósito, segura ou empurra o seu adversário, aplica o golpe abaixo da cintura, acerta um soco na cabeça do oponente, utiliza os joelhos durante a luta, acerta o adversário enquanto está no chão ou age com conduta antidesportiva, assim como seu técnico.

Gam-jeom: É marcado quando o competidor acumula dois Kyong-go ou age com uma conduta antidesportiva, como quando com ofensas ao árbitro e/ou adversário. Nesse caso, o atleta automaticamente concede um ponto ao seu adversário. Na soma de cinco Gam-jeom, o lutador é imediatamente desclassificado do combate.

Além desse modo de desqualificação, o competidor pode ser penalizado se intencionalmente infringir as regras do Taekwondo ou manipular seu sensor de pontuação, mantido em seu uniforme. O atleta ainda pode sair vencedor aplicando um nocaute ou obtendo uma diferença de 12 pontos no segundo round.

Ao todo, são três rounds de 2 minutos cada, entre eles existe um intervalo de 1 minuto. No caso de empate, ainda existe o Gouden Point – considerado quarto round – em que o primeiro competidor a marcar um ponto sai como vencedor da batalha. Caso nenhum dos dois pontue, os árbitros entram em um consenso e definem o vencedor.

Atingir o tronco vale um ponto, atingir o tronco com giratório vale dois pontos, atingir a cabeça com chute vale três pontos e atingir a cabeça com chute giratório vale quatro pontos. Normalmente, os encontros mais decisivos são definidos nos últimos segundos, exigindo do atleta total concentração.

MODALIDADE OLÍMPICA
Nas Olimpíadas de Seul 1998 e Barcelona 1992, o Taekwondo foi apresentado como um esporte de exibição. Em Sydney 2000, tornou-se um esporte olímpico oficial. A grande diferença da modalidade olímpica são as partes coloridas do uniforme, que possuem um sensor para informar a arbitragem quando um atleta foi atingido.

Com cinco participações nos Jogos Olímpicos, o Taekwondo é realizado em um formato de torneio com quatro classes para homens e mulheres, divididas por peso. Para os homens: 58kg, 68 kg, 80 kg e mais de 80kg. Para as mulheres: 49 kg, 57kg, 67 kg e mais de 67kg. As partidas são disputadas em uma esteira octogonal com um diâmetro de oito metros.

Por ser o esporte nacional da República da Coréia, seus atletas são tradicionalmente mais fortes. Por esse motivo, tanto no masculino quanto no feminino, a Coréia do Sul é o país maior medalhista da modalidade. Entre as mulheres, sete atletas chegaram ao pódio, totalizando nove medalhas. Entre os homens, nove se consagraram e somaram 11 medalhas.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, no Rio de Janeiro, as coreanas Kim So-hui e Oh Hye-ri conquistaram o ouro nos pesos de 49kg e 67kg, respectivamente. Enquanto isso, no masculino, três coreanos chegaram ao bronze: Kim Tae-hun, Lee Dae-hoon e Cha Dong-min. Não à toa, o país foi o maior medalhista do Taekwondo.

Durante todas as Olimpíadas em que o esporte esteve presente, 144 medalhas foram distribuídas. No feminino, 27 países e 64 atletas saíram medalhistas. As mulheres que subiram ao pódio mais vezes foram: A coreana Hwang Kyung-Seon (67kg) com 2 ouros e 1 bronze, e a mexicana María Espinoza (mais de 67kg) com 1 medalha de cada.

No masculino, 31 países e 56 atletas saíram medalhistas. Os homens mais vencedores foram: O estadunidense Steven Lopez e o iraniano Hadi Saei, os dois com uma carreira bem similar. Ambos conquistaram dois ouros e um bronze em Olimpíadas, da mesma forma que os dois já disputaram medalhas pelas categorias de 68kg e 80kg.

TAEKWONDO NO BRASIL
O mestre responsável pela chegada da modalidade no Brasil foi Sang Min Cho, em 1970. Já em 1987, foi criada a Confederação Brasileira de Taekwondo. Ao todo, o Brasil já contou com dez participantes em Olimpíadas, participando em todas as edições da modalidade como esporte olímpico. Durante o processo de exibição do Taekwondo, não contamos com nenhum atleta.

Natália Falavigna foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha para o Brasil, um bronze em Pequim 2008. No Rio 2016, Maicon Andrade repetiu o feito, se tornando o primeiro atleta da categoria masculina a trazer uma medalha para o nosso país. Em Sydney 2000, Carmen Silva foi a primeira esportista brasileira a competir pela modalidade.

Em Atenas 2004, Marcel Wenceslau Ferreira se tornou o primeiro atleta da categoria masculina a disputar os jogos. No dia seguinte, o Brasil contou também com a participação de Diogo Silva. Natália também se tornou a atleta com mais Olimpíadas pelo Brasil da modalidade, somando três participações (2004/2008/2012).

Diogo somou duas participações (2004/2012), ficando as duas vezes em 4º lugar. Em Pequim 2008, ainda participaram Debora Nunes e Márcio Wenceslau. No Rio 2016, pela primeira vez, o Brasil contou com quatro atletas disputando a mesma Olimpíada. Além do medalhista, contamos com a participação de Iris Tang Sing, Julia Vasconcelos e Venilton Teixeira.